Reconstruindo Sua Identidade Depois do Bebê
Você tem permissão de sentir saudade de quem era antes, e ainda assim amar quem está se tornando. Veja o que significa essa sensação intermediária, e por que não é um limbo permanente.
Em algum ponto das primeiras semanas ou meses, muitas mães recentes percebem um luto estranho e silencioso por baixo da alegria: uma sensação de sentir falta de si mesmas. Não do bebê — de si mesmas. Da pessoa que podia sair de casa por impulso, terminar um pensamento completo, ou simplesmente não ser necessária a cada poucos minutos. Se você já sentiu isso e depois se sentiu culpada por sentir, você está descrevendo algo real que tem um nome: matrescência, a transição do desenvolvimento rumo à maternidade.
O que a matrescência realmente é
Assim como a adolescência é uma transição reconhecida, às vezes turbulenta, rumo à vida adulta, a matrescência descreve a transição rumo à maternidade — física, hormonal, psicológica e socialmente. Não é um defeito seu que essa transição pareça desorientadora; é a natureza das transições. Você não está se tornando menos você mesma. Você está se tornando uma versão de si que inclui a maternidade, e esse processo de integração leva tempo de verdade.
Por que pode parecer que você se perdeu
- Suas prioridades mudam da noite para o dia. Coisas que antes importavam intensamente podem de repente parecer distantes, enquanto coisas em que você nunca pensava — horários de sono, febrinhas — agora ocupam toda a sua mente.
- Seu corpo mudou. Reconhecer-se no espelho pode levar tempo quando tanta coisa mudou de uma vez.
- Seus relacionamentos mudam de forma. Amizades, seu casamento ou parceria, e até sua relação com os próprios pais costumam mudar quando você entra nesse novo papel.
- Ferramentas antigas podem não servir mais. As coisas que costumavam te recarregar — uma boa corrida, uma noite fora — podem não estar acessíveis agora, deixando você sem saber como se sentir você mesma.
O que costuma ajudar
Dê permissão para a transição levar seu tempo — muitas mães descrevem ainda estar encontrando o próprio equilíbrio bem depois do primeiro ano, não só nos primeiros meses. Mantenha vivos pequenos fios até quem você era antes do bebê, quando puder: cinco minutos de um hobby, uma mensagem para uma amiga antiga, aquela música que costumava ser “sua”. Isso não é luxo; é manutenção de identidade. E fale sobre a mudança em voz alta, com seu parceiro ou uma amiga, em vez de carregá-la em silêncio — a matrescência fica mais fácil quando não é um segredo.
Você não desapareceu. Você está no meio de se tornar alguém novo que ainda guarda todas as pessoas que já foi — e essa pessoa vale a pena conhecer.
Este conteúdo oferece educação geral, não um conselho médico individualizado nem um diagnóstico. Para algo específico sobre você e seu bebê, converse com a sua IBCLC, pediatra ou médico.